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Facções têxteis buscam inovação para escapar da crise econômica PDF Imprimir E-mail
Sáb, 19 de Agosto de 2017 11:39

Criado por meio de uma parceria entre Governo do Estado, Federação das Indústrias (Fiern) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Pró-Sertão é um programa que tem como objetivo principal conceder incentivos para fomentar a interiorização da indústria têxtil no Rio Grande do Norte.

Quando formatado, em 2013, o projeto estimava que, em até cinco anos depois, o número de facções seria quadruplicado – passando de 90 para 360 unidades de confecção no estado. A produção é comprada por grandes empresas do segmento, sobretudo a Guararapes.

No entanto, principalmente por causa da crise econômica, que acabou reduzindo a demanda dos compradores, o projeto acabou não avançando da maneira como era esperada, e o número de facções participantes caiu, na verdade, para 62. Apesar disso, as ações do programa continuam intensas.

“O Pró-Sertão nunca parou. A conjuntura econômica é que fez com que o programa não avançasse da forma que tinha sido planejada no início. Mas nós continuamos apoiando fortemente as empresas, auxiliando na melhoria da produtividade e da gestão delas”, conta Lorena Roosevelt, gerente da Unidade de Desenvolvimento da Indústria do Sebrae, que presta suporte à instalação e à manutenção das facções.

Por causa do cenário adverso, registra Lorena, as empresas têm buscado alternativas de produção para incrementar seus negócios. Além de fornecerem para a Guararapes, muitas das facções estão “enveredando para outros caminhos”. “As facções estão diversificando as suas possibilidades de fornecimento de serviços. A Guararapes fazia o design, cortava as peças e as empresas fechavam. Mas agora elas próprias [as facções] já estão produzindo o corte, por exemplo”, destaca a representante do Sebrae.

É o caso do grupo C. Medeiros, que mantém unidades de confecção em São José do Seridó e São Vicente, nas regiões Seridó e Central. De acordo com a empresária Anny Fabíola, a realização de investimentos em salas de corte, por exemplo, representa um importante fator competitivo para a facção têxtil. “Procuramos pensar à frente em soluções para o cliente, que hoje corta e traz para nós costurarmos. Mas, um grande fator positivo é se nós conseguíssemos entregar o produto pronto – além da costura, fazer o corte e o acabamento. Isso é o que a gente busca para, num futuro breve, livrar o cliente deste trabalho”, frisa.

Apenas a facção de Anny tem investido quase R$ 30 mil no aprimoramento da produção, entre instalação de sala de corte e desenvolvimento de marca e coleção. “Para isso, contamos com parcerias junto ao Sistema S, fornecedores de equipamentos e bancos. É algo muito novo para nós, mas estamos apostando nisso”, afirma, registrando ainda que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) participa do processo oferecendo treinamento de mão de obra especializada. “A gente solicita e o Senai vem para dentro da nossa unidade e capacita a mão de obra que precisamos”.

Observando a evolução das empresas, que têm buscado oportunidades em meio à crise, o Sebrae lançou, na semana passada, uma ação de consultoria para que as facções garantam certificação da Associação Brasileira de Varejo Têxtil (ABVTEX). “Dentro dessa certificação, a ABVTEX comprova que os direitos trabalhistas são respeitados, por exemplo. As empresas que forem auditadas terão um selo – o que vai chamar a atenção dos varejistas, que vão querer contratar essas empresas, uma vez que elas demonstram segurança”, considera Lorena.

A expectativa do Sebrae é que 49 facções têxteis sejam certificadas pela ABVTEX em breve, o que lhes vai dar um selo que garante que, nessas empresas, há regularidade tributária, fiscal e trabalhista. “Isso vai gerar um ambiente atrativo para outras empresas contratarem, como a Renner, a C&A e a Centauro”, por exemplo.

PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO E PLANOS

Pelos fatores elencados anteriormente, de acordo com a gerente da Unidade de Desenvolvimento da Indústria do Sebrae, o Pró-Sertão ganhou muito mais um caráter empresarial que uma iniciativa de governo.

“No início do programa, o governo estadual foi uma espécie de interlocutor, teve um papel importante de fomentar. Divulgava para as prefeituras e fazia a ‘ponte’ com a Guararapes. Com o tempo, o programa foi ganhando uma cara empresarial. O governo hoje faz mais interlocução e facilita e monitora resultados do projeto. Não há uma intervenção tão forte, é mais um papel de articulador”, assinala.

Em relação às metas para a continuidade do programa – que, na prática, funciona como uma parceria entre a Guararapes e outras companhias com as facções –, Lorena explica que o foco do Pró-Sertão, na verdade, é fortalecer as empresas já existentes. “Quem coloca as metas é a Guararapes, mas a ideia é fortalecer as que existem, porque elas ainda têm capacidade ociosa. Elas podem aumentar o fornecimento, ficarem mais profissionais e terem alto desempenho. De acordo com a reação econômica, existe sim a possibilidade de ampliação”, finaliza.

 

Fonte: http://agorarn.com.br/economia/faccoes-texteis-buscam-inovacao-para-escapar-da-crise-economica/

 
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